ESTARÁ A TROPA INGLESA DE BOA SAÚDE?


       
       Os recentes acontecimentos ocorridos com a detenção de um pequeno grupo de marinheiros e fuzileiros britânicos, que patrulhavam águas na confluência da fronteira marítima entre o Iraque e o Irão, por tropas deste último país, parece indiciar que não.
       Por duas ordens de razões principais: o modo como decorreu o cativeiro e a polémica derivada da venda das suas histórias aos "media" ingleses, após a sua libertação.
       Deixando de lado a aparente facilidade e descaso com que se deixaram capturar e sem haver ninguém por perto para lhes dar apoio, as imagens que percorreram mundo durante quase duas semanas, não revelaram um comportamento  conforme ao decoro militar.
       Independentemente dos iranianos terem violado algumas das prescrições da Convenção de Genebra  (apesar de não haver qualquer guerra declarada), conseguiram manobrar a seu belo prazer sem, aparentemente, terem encontrado qualquer tipo de resistência por parte dos detidos, e palavras que pouco foram além de circunstância, de responsáveis políticos.
       Não se sabe quais as "pressões" ou "ameaças" exercidas, mas que diabo, também não se vislumbrou sequer uma nódoa negra, nem tão pouco qualquer constrangimento na postura dos militares de S. Majestade Britânica.  Antes pelo contrário, vimo-los sempre alegres e bem dispostos, colaborando de boa vontade com todas as exigências dos seus captores.
       Ora os militares enquanto prisioneiros, também têm deveres a cumprir, princípios a salvaguardar. É evidente que isto envolve riscos, incluindo o da própria vida. Mas para isto e por isto é que a Instituição Militar é única na sociedade e os seus servidores estão obrigados a um conjunto de elos materiais e espirituais, que se consubstanciam na Condição Militar. Um aspecto que tem vindo convenientemente a ser esquecido na Europa Ocidental em geral e em Portugal em particular, com resultados que só podem terminar em desastres!...
       Ora não parecendo ter sido o comportamento dos militares ingleses, dos mais honrosos, o respectivo Ministério da Defesa ainda os entendeu premiar, autorizando, excepcionalmente, (ainda por cima!) que eles vendessem as suas histórias aos abutres da Comunicação Social.
       A situação é lamentável e por ela se pode ver aos abismos a que a política contemporânea nos pode transportar. E estamos a falar da super democrática Grã-Bretanha, farol de virtudes para tantos!
       A situação não se compreende e nada a justifica a não ser um desvario de valores. É um mau exemplo, prejudica o Moral das Tropas, é um acto de masoquismo político-militar - afinal estão a publicitar um revés -, e é uma afronta a quem tem morrido no campo de batalha. A situação podia ter-se resolvido obrigando quem quisesse falar a deixar o serviço activo e mesmo assim com regras explícitas que prevenissem tocar em assuntos que ferissem o segredo e o moral militar.
       Seria útil que aqui na "ocidental praia lusitana", tirássemos alguns ensinamentos quando vemos as barbas do vizinho a arder….
       Os políticos que têm governado o Ocidente na sua esmagadora maioria, são falhos de princípios e de carácter. Não têm fibra. E nem disso nos podemos queixar: é uma maioria de entre nós que os elegemos.



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João José Brandão Ferreira
TCor/Pilav (Ref)
CMDT de Linha Aérea
       



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