JÁ NÃO BASTAVA!...



       O Estado/Patrão tutela (por enquanto), várias empreas entre as quais a TAP; o Estado/Instituição, assenta em vários pilares de soberania entre os quais as Forças Armadas. Sendo o Estado, em termos de Ciência Política, a expressão da Nação politicamente organizada, serve unicamente  (não é suposto o Estado servir-se!) para garantir as funções clássicas de Segurança, Justiça e Bem Estar. Por esta ordem.
       Ora os actuais representantes do Estado Português têm isto tudo baralhado.
       E a bota do Estado/Patrão, não bate com a perdigota do Estado/Instituição. Vejamos o exemplo atrás apontado.
       Um comandante da TAP, ganha digamos (dizemos digamos, porque com a "slot machine" existente - que só dá moedas, nunca retém-, um comandante nunca sabe quanto ganha), em termos médios 1500 contos líquidos. A lista de "direitos" que lhe assistem, é extensa, enquanto o cabaz dos deveres se apresenta comedido.
       Num outro extremo do mesmo Estado vamos encontrar, em lugar equivalente, um coronel piloto aviador. Este, não leva para casa ao fim do mês 500 contos (falamos em contos porque em português nos entendemos ...), e isto porque ganha cerca de mais 100 contos de subsídio de risco de voo, que a generalidade dos seus camaradas das outras especialidades!...
       Ora vai-se a ver e estes abencerragens, têm a lista dos direitos e deveres, trocada: isto é, têm muitos mais deveres e muito menos direitos do que os seus homónimos civis. E vá-se lá saber porque bulas, ou ironias do destino, os primeiros gozam sobre os segundos, de uma maior dignidade profissional e social.
       E isto, apesar de melhor ou pior a Força Aérea, não desmerecer no cumprimento das suas missões - para as quais os governos minguam constantemente os recursos; e da TAP que não consegue descolar dos prejuízos vai para 34 anos!
       Lembra-se,ainda, aos mais distraídos ou menos informados, que à TAP exige-se eficiência enquanto que à Força Aéra (FA), a eficácia prefere.
       Que mais vemos? Isto: por norma desconsideração pelo comandante da Força Aérea, que chega lá por mérito próprio ao fim de 30 anos de carreira, em que prestou provas, freqeuentou cursos e foi avaliado anualmente. De vez em quando deixam-no exprimir-se publicamente. E se alguma coisa não agrada aos "comissários políticos" no poder, logo o apoucam ou destituem. Vai para casa com uma mão à frente e outra atrás.
       Ao contrário, para a TAP, vão administradores por favor político, sem terem de provar nada em termos profissionais ou conhecimento da "área do negócio". E se têm o "azar" de não obter bons resultados, ou perderem a "confiança política" - o que tem sido a regra e não a excepção -, logo são amavelmente despedidos com pingue indemnização, não passando muito tempo em que uma outra empresa sustentada pelo dinheiro dos constribuintes, não vá usufruir dos seus méritos multiusos!!!
       Ora como se já não bastasse esta vergonhosa situação que perdura desde que um grupo de camaradas meus decidiu alterar a ordem política vigente prometendo (bem corroboradas pelos políticos que se seguiram), as mais amplas liberdades democráticas, a melhor das justiças sociais e o maior dos desenvolvimentos, vem agora o Exmº Ministro da Administração Interna - em cujo ministério não parece haver qualquer crise financeira -, querer pagar a um comandante de helicópero de combate a incêndios, qualquer coisa como 1200 contos ! (alcavalas excluidas), isto depois do governo Gueterres ter retirado  - a propósito de quê? -, à FA essa missão, e de quererem poluir - é o termo -, o espaço aéreo com mini "esquadras aéreas", que a pequenez e falta de recursos do País não justifica e a falta de competência técnica de vários orgãos/serviços para a utilização de meios aéreos, vivamente desaconselha!
       Como dizia o Herculano em Vale de Lobos, "isto dá vontade de morrer". A mim revolta-me.

                               
João José Brandão Ferreira
TCor/Pilav (Ref)
CMDT de Linha Aérea
       



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