OBSERVEM...



       Os políticos e os órgãos de soberania de um modo geral, têm nos últimos 25 anos, retirado sistematicamente competências e autoridade às chefias militares.
       Promoveram e aprovaram as Associações de Militares e de Segurança (à revelia da opinião daqueles).
       Quando através daquelas ou à revelia delas um grupo de militares pretendeu manifestar-se publicamente (contra erros do executivo) o governo proibiu.
       A manifestação ocorreu, mas o governo absteve-se de intervir.
       Enviou, porém, o ónus do exercício da autoridade para cima das chefias militares, encarregando-as de identificar os manifestantes que estivessem no activo (porquê só estes?) e levantar-lhes processos disciplinares (as eventuais infracções ao prescrito na Lei quanto a manifestações prefiguram, ao que cremos, um ilícito criminal e não uma infracção disciplinar...).
             Maquiavel não faria melhor ...
       As chefias militares obedeceram do que resultaram umas quantas punições.
       Alguns dos punidos recorreram para tribunais civis porque, entretanto, os políticos que têm preenchido os órgãos de soberania entenderam que a Justiça Militar era um anacronismo e destruiram-na, acabando aleivosamente (mas sempre democraticamente!) com os tribunais militares. Deixaram, sem embargo, tudo desregulado.
       Uma meretíssima juiz da comarca de Sintra, como já outra colega sua de Leiria, mandou suspender a pena. Os punidos, ao contrário do que tinha acontecido com o caso da cidade banhada pelo Liz, foram soltos, num acto que subverte a disciplina militar e configura uma intromissão inadmissível na acção de comando - tanto em paz como em crise ou guerra! - Mas tudo é, aparentemente legal e democrático!...
       No meio de tudo isto, as chefias militares vão escrevendo, mas não se lhes ouve um som. E quando há pouco, por fuga de informação (que nunca se detecta...), se soube de um documento subscrito pelo Conselho de Chefes em que de um modo institucionalmente impecável e inatacável, se chamava a atenção para as consequências negativas para as FAs, de recentes decisões, o responsável militar de maior graduação fez uma curta declaração ao país (o que o teria induzido?), em que quase deu o dito por não dito.
       Caros leitores, não se belisquem e não acordem.
       Nada disto está a acontecer!


                               
João José Brandão Ferreira
TCor/Pilav (Ref)
CMDT de Linha Aérea
       



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