1974

Janeiro

Ataque da FRELIMO a Mueda com foguetões de 122 mm

14

Acção da FRELIMO na zona do Chimoio, no Centro de Moçambique, de que resultou a morte da mulher de um fazendeiro branco, facto que provoca larga agitação e protestos dos agricultores brancos da região

17

Manifestação da população branca da zona centro de Moçambique, em especial na cidade da Beira, contra as Forças Armadas e os militares, com confrontos físicos e alguns feridos

Partida de Costa Gomes para Moçambique para se inteirar dos acontecimentos ocorridos no território, em que estiveram envolvidos civis brancos e militares

21

Primeira acção do PAIGC na cidade de Bissau, com lançamento de engenhos explosivos contra autocarros da Força Aérea, seguidos, uma semana depois, de dois outros engenhos do mesmo tipo num café da mesma cidade, frequentado por militares portugueses

Envio para Lisboa de dois telegramas da comissão do Movimento dos Capitães em Moçambique sobre os acontecimentos da Beira

22

Jorge Jardim define o planeamento de aplicação do programa de Lusaka, admitindo o recurso a um golpe de Estado

Reunião do Movimento dos Capitães, em que se decide, face à gravidade dos acontecimentos de Moçambique, emitir um comunicado e contactar o general Spínola

23

Apresentação à hierarquia de uma exposição do Movimento dos Capitães de Moçambique sobre a situação resultante dos acontecimentos da Beira, assinada por 180 oficiais

É redigida a 1ª circular do Movimento (circular n.º 1/74), por decisão da sua direcção.

A mesma é amplamente distribuída, relatando os acontecimentos ocorridos em Moçambique e apelando a que cada militar «...dentro das mais estritas regras da disciplina...» se empenhe na exigência de um desagravo à instituição. Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço avistam-se com Spínola, dando-lhe conhecimento da posição do Movimento.

A referida circular viria a ser citada na BBC, no Le Monde e na emissora Rádio Portugal Livre de Argel

26

Reunião do movimento dos Capitães no Estoril, onde é constatada a necessidade de elaborar um documento que defina os seus objectivos políticos

27

Abaixo-assinado elaborado pela comissão regional do Movimento dos Capitães na Beira (Moçambique) sobre os últimos acontecimentos

29

Envio pela comissão do Movimento dos Capitães em Nampula, de um relato circunstanciado dos acontecimentos da Beira, para Lisboa e para as comissões regionais

Fevereiro

5

O Movimento dos Capitães politiza-se de forma galopante.

É necessário adoptar um programa, para isso realiza-se um encontro alargado da CCE no qual é eleita uma Comissão de Redacção do Programa do Movimento, dela fazem parte o tenente-coronel Costa Brás, majores Melo Antunes e José Maria Azevedo e capitão Sousa e Castro

Chegada a Lisboa de Jorge Jardim para conversações com o Governo sobre uma proposta de resolução do problema de Moçambique, supostamente apoiada pelos dirigentes de alguns países africanos

12

Publicação do documento do bispo de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto, «Imperativo de Consciência»

13

Restabelecimento de contactos entre a UNITA e a administração de Angola

14

Carta do Movimento dos Capitães da Guiné sobre a situação geral e a necessidade de ser passar à acção contra o regime

22

Sai do prelo o livro Portugal e o Futuro, da autoria de António de Spínola, que se esgota rapidamente, conhecendo um enorme sucesso. O general defende uma solução política e não militar para o Ultramar.

Fica demonstrado publicamente o conflito existente no seio do regime em torno de uma solução para o problema colonial

Rebentamento de uma carga explosiva no Quartel-General do Exército de Bissau, tendo ficado ferido o segundo-comandante, acção reivindicada pelas Brigadas Revolucionárias

Março

5

Mini plenário do Movimento dos Oficiais das Forças Armadas, em Cascais, o último antes do 25 de Abril. Presentes 194 oficiais, das unidades de Infantaria, Artilharia, Cavalaria, Engenharia, Administração Militar, Transmissões, Serviço de Material, Pára-quedistas e Força Aérea (FA), representando 602 militares.

O documento, de índole política, «O Movimento, As Forças Armadas e a Nação» recolhe 111 assinaturas

6

Marcelo Caetano faz defesa inflamada da política do Governo para o Ultramar, em discurso proferido perante a Assembleia Nacional e transmitido pela RTP. No seu seguimento é aprovada pelos deputados uma moção de apoio à «política ultramarina do Governo»

Elaboração de um plano por Kaúlza de Arriaga e Luz Cunha para por fim à «subversão comunista do Exército»

9

Os capitães Vasco Lourenço, Antero Ribeiro da Silva e Pinto Soares são detidos, tendo os dois primeiros, decorridos alguns dias, sido transferidos compulsivamente para os Açores e a Madeira, respectivamente, enquanto o terceiro foi internado num estabelecimento hospitalar

11

Aprovação da politica colonial do Governo, pela Assembleia Nacional

14

As chefias das Forças Armadas e de Segurança e os oficiais generais dos três ramos vão a S. Bento afirmar ao Presidente do Conselho de Ministros e ao Governo a sua fidelidade e apoio à política ultramarina, em nome das respectivas instituições

15

Demissão de Costa Gomes e António de Spínola dos cargos de chefe e vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas

Os jornais anunciam com grandes parangonas a exoneração dos generais Francisco da Costa Gomes e António de Spínola dos cargos de Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas e vice-CEMGFA, respectivamente

16

Às 04:00 da madrugada, uma coluna do Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha passa os portões do aquartelamento, comandada pelo capitão Armando Marques Ramos.

Pretende executar um golpe militar, marchando sobre Lisboa e depondo o Governo, a apenas a três quilómetros da capital terá a noção de que se encontra isolada. Um precipitado e deficiente planeamento da acção leva ao seu fracasso, sendo presos quase duas centenas de militares, oficiais, sargentos e praças, entre os quais o tenente-coronel João de Almeida Bruno, majores Manuel Monge e António Casanova Ferreira e capitães Marques Ramos e Virgílio Varela.

Constituiu, embora, um importante balão de ensaio para o 25 de Abril, esta primeira tentativa de golpe militar do movimento dos oficiais das Forças Armadas

18

Otelo e Vítor Alves redigem a Circular 2/74, procedendo a uma análise dos acontecimentos e apelando à firmeza e perseverança nos objectivos do Movimento.

Encontram-se com Melo Antunes, no Café Londres, e pedem-lhe que elabore um programa político do Movimento dos Oficiais das Forças Armadas (MOFA), com base no Manifesto aprovado no plenário do dia 5

O diário República, dirigido por Raul Rêgo, desde sempre ligado à oposição ao Estado Novo, publica, de forma criptográfica, na página desportiva, a notícia intitulada «Quem travará os leões» na qual se conclui que «perdeu-se uma batalha, mas não se perdeu a guerra»

19

General Joaquim da Luz Cunha, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas

21

Após um contacto estabelecido no alto do Parque Eduardo VII por iniciativa do capitão Luís Macedo, colocado no Regimento de Engenharia 1 (RE 1), em que solicita a Otelo, em nome de muitos camaradas, que assuma a condução militar do Movimento, este aceita a missão e designa-o seu adjunto operacional

22

Reunião em casa de Vítor Alves de um pequeno núcleo de oficiais do Exército, da Força Aérea e da Armada.

Melo Antunes lê a primeira versão do programa político do Movimento, sendo por todos aprovada. Melo Antunes comunica que, por ironia do destino, em resultado de um pedido seu, deferido apenas naquela altura, irá partir nessa noite para Ponta Delgada, devido a ter sido colocado no Comando Territorial dos Açores (CTIA).

Fica combinado o célebre telegrama em código que o irá informar do grande momento: «Tia Aurora segue dia... Um abraço António».

O comandante Almada Contreiras acompanha Melo Antunes ao aeroporto, sendo apresentado por este a Álvaro Guerra, jornalista do República

24

A CCE reúne e é aprovado por unanimidade que os dois elementos da direcção ainda activos assumam a responsabilidade da preparação militar e da preparação política do movimento.

Otelo aceita, perante os presentes, gizar um plano operacional e elaborar a «ordem de operações» respectiva. Garante que o golpe será desencadeado entre 20 e 29 de Abril e, desta vez, para conduzir à vitória

28

Marcelo Caetano faz, na RTP, a sua derradeira «Conversa em Família», em que reafirma a politica ultramarina do seu Governo e condena os implicados no movimento de 16 de Março

31

Violento ataque do PAIGC à guarnição militar portuguesa de Bedanda, com utilização de viaturas blindadas

Abril

4

Carta da direcção do movimento de oficiais para as colónias, informando as respectivas comissões de que não deveriam tomara iniciativa de qualquer acção

11

Primeira utilização, pela FRELIMO, de mísseis terra-ar SAM-7

Apresentação nas Nações Unidas do representante da Guiné-Bissau, Júlio Semedo

13

Informação do movimento de oficiais da Guiné à comissão de Lisboa de que está preparada para assumir a iniciativa do movimento, caso seja necessário

14

Expulsão de Moçambique do bispo de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto

15

Otelo Saraiva de Carvalho conclui o Plano Geral das Operações, que intitula simbolicamente «Viragem Histórica».

Divide o país em duas grandes áreas de operações: Zona Norte e Resto do País, sendo este segmentado em quatro áreas.

As unidades do Norte deveriam convergir para o Porto, onde ocupariam pontos estratégicos, nomeadamente o Quartel-General, instalações de forças de segurança, estações de rádio e televisão, aeroporto e pontes.

As unidades situadas a Sul do Douro adoptariam idêntica manobra relativamente à capital, sendo atribuídas a algumas das colunas mais importantes missões de natureza táctica. (EPC e EPA).

Nesse mesmo dia entrega-o ao tenente-coronel Garcia dos Santos para que este elabore o Anexo de Transmissões.

Encontro no restaurante Califa, em Benfica, de Otelo, do capitão Frederico Morais e dos tenentes milicianos Luís Pessoa e Miguel Amado com vista a planear a tomada da Emissora Nacional.

Escolha do Rádio Clube Português (R.C.P.) para posto emissor do MFA, em virtude de possuir uma rede que cobre o país e o Ultramar, emitir noticiários de hora a hora em simultâneo e de dispor, nas instalações da Rua Sampaio e Pina, nº 26, de um estúdio compacto, de gerador de emergência com entrada automática em funcionamento e radiotelefone para o centro emissor em Porto Alto

Meados de Abril

Álvaro Guerra, elemento de ligação entre alguns oficiais do MFA e meios civis da oposição, obtêm a colaboração do núcleo do República, no qual se conta o seu director, Raul Rêgo, bem como os jornalistas Álvaro Belo Marques, Carlos Albino, Fernando Assis Pacheco, José Jorge Letria e Vítor Direito

16

Otelo Saraiva de Carvalho reúne, no RE 1, com o major Eurico Corvacho a quem explica a ideia geral de manobra, particularizando as movimentações a levar a cabo na Zona Norte. A pedido deste, agrega-lhe as forças do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE) de Lamego, cometendo-lhes a missão de reforçar as tropas do Porto.

17

Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados do Agrupamento Norte (November), no apartamento de Dinis de Almeida, estando presentes todos os agentes de ligação para esse sector, facto que se repete nas restantes reuniões

18

Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados do Sector Centro (Charlie), em sua casa, contando-se entre estes o capitão Correia Bernardo, em representação da Escola Prática de Cavalaria (Santarém)

19

Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados do Sector Sul (Sierra), em casa do major Fernandes da Mota

20

Finalmente, na mais importante das reuniões, Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados das unidades da Região Militar de Lisboa (Lima), na residência, então vaga, do pai do tenente Américo Henriques, em Cascais

Conclusão do essencial dos textos políticos (em cuja redacção, coordenada por Vítor Alves, participaram Franco Charais, Costa Brás, Vasco Gonçalves, Nuno Lopes Pires e Pinto Soares, pelo Exército; Vítor Crespo e Lauret, com a participação menos activa de Teles e Contreiras, pela Marinha e a ocasional presença do major Morais e Silva e do capitão Seabra).

A partir desta data, Otelo, que também assegura a ligação com Spínola, passa a efectuar os contactos, por razões de segurança, através do major de cavalaria na reserva Carlos Alexandre de Morais.

São da lavra do general algumas das modificações introduzidas, nomeadamente a designação de Movimento das Forças Armadas (MFA), em substituição da versão anterior de Movimento dos Oficiais das Forças Armadas (MOFA) e de Junta de Salvação Nacional (JSN) em alternativa à proposta de Directório Militar

21

Encontro na marginal em Oeiras, de Otelo e do major Moura Calheiros com os coronéis Rafael Durão (representante do general Spínola) e Fausto Marques, com vista a obter a adesão do Regimento de Caçadores Pára-quedistas, comandado pelo último oficial, iniciativa que se revela inconclusiva

22

00:01

A partir do início deste dia, todos os delegados do Movimento nas unidades entram em estado de alerta, preparados para receber o contacto do agente de ligação, portador das instruções finais

A Escola Prática de Transmissões (EPTM), localizada em Sapadores, recebe autorização do Estado-Maior do Exército (EME), por proposta do tenente-coronel Garcia dos Santos, para o estabelecimento de uma linha directa com o RE 1, da Pontinha, numa extensão de 4 quilómetros.

Inicia-se, sem demora, a sua instalação, efectuada por uma equipa comandada pelo furriel Cedoura, que ficará concluída em menos de 24 horas. Tal iniciativa viria a permitir ao Posto de Comando do MFA o acesso permanente às escutas das redes de transmissões militares e das forças de segurança, missão de apoio técnico cometida à primeira unidade militar, em que se destacaram os capitães Fialho da Rosa, Veríssimo da Cruz e Madeira.

11:00

O capitão FA Costa Martins contacta João Paulo Dinis, no Rádio Clube Português (R.C.P.), por incumbência de Otelo, que o tivera como subordinado no Comando Chefe na Guiné, com o objectivo de emitir um sinal radiofónico para desencadear o movimento. O radialista, que desconhecia o emissário, desconfia da sua identidade, mas aceita, depois de muito instado, aprazar um encontro entre os três, nessa noite, num bar lisboeta

Noite

Reunião de Otelo, na Reboleira, com os grupos de comandos coordenados pelo major Jaime Neves

23

00:15

Otelo Saraiva de Carvalho e Costa Martins, protegidos pelo major FA Costa Neves, avistam-se, no Apolo 70, com João Paulo Diniz. Este esclarece que apenas colabora no programa matutino Carrossel do R.C.P., razão pela qual não poderá emitir a senha pretendida.

Obtêm, contudo, a garantia de transmissão do seguinte sinal, entretanto combinado, “Faltam cinco minutos para a meia-noite. Vai cantar Paulo de Carvalho «E depois do adeus»”, através dos Emissores Associados de Lisboa (E.A.L), que apenas dispõem de um raio de alcance de cerca de 100 a 150 quilómetros de Lisboa.

A limitada potência do emissor torna, assim, necessária a emissão de um segundo sinal, através de uma estação que alcance todo o País

Deslocam-se, seguidamente, para junto da Penitenciária de Lisboa, onde aguardam que o ex-locutor do Programa das Forças Armadas em Bissau obtenha informação no Rádio Clube Português sobre a constituição da equipa que entrará de serviço na madrugada de 25. Este apura que o serviço de noticiário estará a cargo de Joaquim Furtado mas, conhecendo-o mal, não arrisca estabelecer contacto.

Manhã

Otelo carrega no porta-bagagem do seu automóvel, estacionado na Academia Militar, os aparelhos rádio Racal, obtidos por Garcia dos Santos, que se destinam às unidades que não dispõem de material de transmissões, designadamente o Centro de Instrução Antiaérea e de Costa (CIAAC) e o Regimento de Cavalaria 3 (RC 3).

Final da manhã

Álvaro Guerra, contactado por Almada Contreiras em nome do Movimento para conseguir a emissão de um sinal radiofónico de âmbito nacional que sirva de código para o desencadeamento das operações, solicita a Carlos Albino, seu colega no República e um dos responsáveis pelo Limite, um programa independente que aluga tempo de antena à Rádio Renascença, a transmissão, no início da madrugada de 25 de Abril, da canção Venham mais cinco, de José Afonso. Carlos Albino pede a Álvaro Guerra para devolver a resposta de que tal canção estava proibida pela censura interna da Renascença.

Sugere alternativas, entre as quais Grândola, Vila Morena.

15:00

Otelo entrega ao major Neves Rosa os documentos finais para poli copiar (anexo de transmissões, alterações de missão, indicação do grupo data-hora (GDH) de execução, modo de confirmação da Hora H e a senha e contra-senha a utilizar nos contactos com tropas).

Esta missão é efectuada num período inferior a três horas, numa firma de artigos electrónicos na Rua Luciano Cordeiro, 78, pertencente ao referido oficial que coordena o sector da ligação operacional, coadjuvado pelo capitão Sousa e Castro.

Tarde

Encontro de Otelo com o tenente-coronel de cavalaria Correia de Campos, num bar na zona do Rego (Lisboa), onde o último aceita participar no Movimento e assumir o comando do Regimento de Cavalaria 7, coadjuvado pelos tenentes Cid, Cadete e Aparício, logo que concretizada a detenção dos oficiais superiores daquele regimento que deveria ser efectuada por grupos de comandos coordenados pelo major Jaime Neves

18:00

Otelo inicia, na Avenida Sidónio Pais, junto ao Parque Eduardo VII, a entrega dos sobrescritos lacrados contendo as instruções finais, bem como de um exemplar do jornal Época, porta-voz do regime, código escolhido para identificar as equipas de ligação (dois oficiais por unidade, circulando cada um na sua viatura e seguindo preferencialmente itinerários diferentes, de modo a prevenir diversas eventualidades) e, ainda, em alguns casos, material de transmissões

20:00

Na residência do comandante Vítor Crespo, no Restelo, realiza-se uma reunião final de Otelo e Vítor Alves com representantes da Armada, nomeadamente os comandantes Geraldes Freire e Abrantes Serra, onde foi obtida a garantia da neutralidade das forças da Marinha

O capitão Santa Clara Gomes, oficial de ligação, procede à entrega, na residência do capitão Teófilo Bento, da ordem de missão referente à Escola Prática de Administração Militar (EPAM)

22:00 ±

Otelo decide pernoitar, por razões de segurança, no RE 1

23:00

Chegada a Santarém dos capitães Candeias Valente e Torres, oficiais do Movimento, portadores da ordem de operações para a Escola Prática de Cavalaria.

Comunicam telefonicamente com o tenente Ribeiro Sardinha informando que já se encontram na cidade, na Pastelaria Bijou. Este contacta Salgueiro Maia

23:30

O capitão Salgueiro Maia desloca-se à Pastelaria Bijou, no Largo do Seminário, em Santarém, para se encontrar com os agentes de ligação

23:55

Na viatura de Salgueiro Maia, estacionada junto ao Jardim da República, é-lhe entregue a ordem de operações e acertados os últimos detalhes. Uma viatura da PIDE/DGS ronda a zona e segue o capitão à distância

24

Organização do posto de comando do MFA em Engenharia 1, na Pontinha

03:00

O agente de ligação entrega ao major Albuquerque, do Centro de Instrução e Condução Auto 1 (CICA 1), as ordens de operações referentes às unidades da Zona Norte

Madrugada

Recepção no Regimento de Infantaria 14 (RI 14), em Viseu, da ordem de operações.

O capitão Ferreira do Amaral transmite as instruções a Lamego e o capitão Aprígio Ramalho à Guarda

08:00

O capitão Castro Carneiro e o alferes Pêgo, do CICA 1, iniciam a viagem destinada a entregar as ordens de operações às unidades de Lamego (capitão Delgado da Fonseca), Vila Real (capitão Mascarenhas) e Bragança (Capitão Freixo)

08:30

Os oficiais da EPC, ligados ao MFA, iniciam nas paradas, no maior sigilo, os contactos com os cerca de cinquenta graduados (oficiais subalternos do Quadro Permanente, alferes, aspirantes, furriéis e cabos milicianos), individualmente, comunicando-lhes que, se a senha e contra-senha forem para o ar, a operação decorrerá nessa madrugada

09:30

O capitão Santa Clara Gomes, oficial de ligação, entrega ao major Cardoso Fontão a ordem de missão referente ao Batalhão de Caçadores 5 (BC 5)

10:00

Álvaro Guerra comunica a Carlos Albino a escolha definitiva de Grândola Vila Morena como senha nacional, garantindo este a sua transmissão

Otelo envia, da estação dos CTT da rua D. Estefânia, o telegrama cifrado a Melo Antunes, contendo o GDH

11:00

Carlos Albino adquire na então livraria Opinião o disco «Cantigas de Maio», para garantia, já que, desde Dezembro de 73 havia indícios de que a PIDE se preparava para um assalto aos escritórios do Limite, na Praça de Alvalade

O capitão Costa Martins contacta João Paulo Dinis e informa-o que o sinal foi antecipado em uma hora

14:00

O jornal República insere uma curta notícia, intitulada «Limite», com o seguinte teor: "O programa «Limite» que se transmite na Rádio Renascença diariamente entre a meia-noite e as 2 horas, melhorou notoriamente nas últimas semanas. A qualidade dos apontamentos transmitidos e o rigor da selecção musical, fazem de «Limite» um tempo radiofónico de audição obrigatória»

14:00 ±

O major Neves Rosa comunica a Otelo que o último elemento de ligação tinha cumprido a missão.

15:00

Encontro decisivo de Carlos Albino com Manuel Tomás (técnico da Rádio Renascença e um dos responsáveis pelo programa Limite que regressara de Moçambique com fama de democrata) para a execução da senha e garantia da sua transmissão.

Refira-se que, sendo o Limite um programa independente, era obrigado a passar por duas censuras: a da Rádio Renascença e a oficial, esta última corporizada num coronel que acompanhava as emissões em directo e visava previamente os textos.

Para maior segurança, retiram-se dos estúdios para um local seguro.

15:30

Na Igreja de S. João de Brito, simulando rezar, combinam todos os pormenores técnicos da senha

17:00

Os tenentes Baluda Cid, Ramos Cadete e Silva Aparício saem da EPC e dirigem-se a Lisboa, com a missão de "controlar", "aliciar" alguns oficiais e tentar "inoperacionalizar" algumas viaturas blindadas do RC 7

Manuel Tomás convoca Leite de Vasconcelos (um outro responsável pelo referido programa, companheiro de Manuel Tomás em Moçambique), em dia de folga na locução do Limite, para «gravar poemas». Carlos Albino escreve textos para serem visados pelo censor

17:30

Os graduados milicianos da EPC ultimam os preparativos para a operação, designadamente quanto a material e equipamentos

19:00

Os censores na Rádio Renascença autorizam os textos e o seguinte alinhamento do bloco com a duração de 11 minutos: quadra, canção Grândola, quadra, poemas Geografia e Revolução Solar, da autoria de Carlos Albino, e a canção Coro da Primavera.

20:00

Na Rádio Renascença, Leite de Vasconcelos procede à gravação dos textos que lhe são apresentados, desconhecendo o seu objectivo

21:00

Otelo entrega ao capitão António Ramos, no Jornal do Comércio, o conjunto de documentos finais e um saco com granadas. Pede-lhe para permanecer toda a noite junto de Spínola, juntamente com outros oficiais de confiança, assegurando-lhe que uma força militar iria garantir a segurança próxima da residência do general, sita na rua Rafael Andrade, ao Paço da Rainha

Os oficiais da Força Aérea (tenente-coronel Sacramento Gomes, majores Costa Neves e Campos Moura e capitães Correia Pombinho, Mendonça de Carvalho, Santos Silva e Santos Ferreira) que constituem o «10º Grupo de Comandos» reúnem-se em frente ao Grill do Hotel Ritz e iniciam a vigilância ao Rádio Clube Português

21:30

Fecho da porta de armas da EPC. Os militares contactados, que haviam saído da unidade, fazem a sua entrada, trajando à civil, para não alertar os elementos da PIDE/DGS que rondam o quartel

21:50

O tenente miliciano Sousa e Silva, oficial da dia na EPC, é substituído nesta função, para poder tomar parte na operação

21:45

O capitão Santos Coelho, do RE 1, junta-se aos seus camaradas do «10º grupo de comandos» e distribui-lhes armas e munições. Procede, em seguida, à leitura da ordem de operações e à recapitulação das missões.

22:00

Otelo regressa ao RE 1, onde se farda. Recebe do major Sanches Osório os primeiros quatro comunicados, entregues por Vítor Alves, bem como a notícia de que o Regimento de Infantaria 1 (Amadora) não adere, deixando, assim, de garantir o cerco à prisão de Caxias e a protecção de Spínola.

Entrega os comunicados ao seu adjunto para que este os faça chegar ao grupo de comandos que tomará o R.C.P.

O capitão Salgueiro Maia, que vai comandar a coluna militar da EPC, na "Operação Fim de Regime", dá início a uma breve reunião, no piso dos quartos dos oficiais, para dar a conhecer a Ordem de Operações, distribuir missões e definir detalhes para o desencadear da operação

22:30

No Posto de Comando encontra-se reunido o Estado-maior do Movimento das Forças Armadas, dirigido pelo major Otelo Saraiva de Carvalho e constituído pelos tenentes-coronéis Garcia dos Santos e Nuno Fisher Lopes Pires, major Sanches Osório, capitão Luís Macedo, adjunto operacional, e comandante Vítor Crespo, que assegura a ligação com a Marinha, garantida pela presença permanente do comandante Almada Contreiras no Centro de Comunicações da Armada (CCA).

Contam, também, com a colaboração de quatro oficiais do RE 1 (Frazão, Máximo, Reis e Cepeda).

22:48

Uma falha técnica suspende, durante alguns minutos, a transmissão dos Emissores Associados de Lisboa, facto que causa natural apreensão nas largas dezenas de militares que aguardam ansiosamente o primeiro sinal para entrar em acção

22.51

Restabelecimento da emissão dos E.A.L.

22.55

1ª Senha: a voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa. Faltam cinco minutos para as vinte e três horas.

Convosco, Paulo de Carvalho com o Euro festival 74 «E Depois do Adeus».

Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas

23.00

Na Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, os capitães Mira Monteiro e Oliveira Patrício e os tenentes Marques Nave, Cabaças Ruaz, Sales Grade, Andrade da Silva e António Pedro procedem à detenção dos comandante e 2º comandante da unidade, respectivamente coronel Mário Belo de Carvalho e tenente-coronel João Manuel Pereira do Nascimento, ocupam as centrais rádio e telefónica e assumem o controlo do quartel

Recolhem à Escola Prática de Infantaria (EPI) as forças que se encontravam em exercícios de campo

O «10º grupo de comandos» divide-se em equipas, distribuídas por 4 automóveis, para constituir patrulhas destinadas, além de manter a vigilância ao R.C.P., a observar as principais instalações das Forças de Segurança (GNR, PSP, LP e DGS), e dos quartéis da Calçada da Ajuda (RC 7 e RL 2)

No BC 5 o major Cardoso Fontão comunica aos oficiais presentes o que está a acontecer e os objectivos do MFA. A adesão é total

O capitão António Ramos abandona as instalações do Jornal do Comércio e dirige-se para a residência do general Spínola, aonde acorreram, durante a madrugada, o tenente-coronel Dias de Lima e o major Carlos Alexandre de Morais

23.25

O capitão Garcia Correia chega à porta de armas da EPC, acompanhado do 2º comandante, tenente-coronel Henrique Sanches, que nessa noite havia convidado para jantar em sua casa, na expectativa de o aliciar para o movimento, o que se revelara infrutífero.

Este, verificando que o oficial de dia fora substituído, ordena-lhe que retire imediatamente o braçal, no que não é obedecido

23.30

Henrique Sanches convoca para o seu gabinete o major Costa Ferreira, os capitães Garcia Correia e Correia Bernardo, o tenente Ribeiro Sardinha e o oficial de dia substituto, capitão Pedro Aguiar. O seu objectivo é demovê-los da acção revolucionária. No entanto, é informado da sua determinação em prosseguir a acção, bem como de todos os oficiais presentes nessa noite na EPC

25

00:00

João Paulo Dinis conclui o programa nos E.A.L. e regressa a casa, seguindo instruções do chefe militar do MFA

00:20

Nos estúdios da Rádio Renascença, situados na Rua Capelo, ao Chiado, Paulo Coelho, que ignora os compromissos assumidos pelos seus colegas do programa Limite, lê anúncios publicitários.

Apesar dos sinais desesperados de Manuel Tomás, que se encontra na cabina técnica acompanhado de Carlos Albino, para sair do ar, o radialista prossegue paulatinamente a sua tarefa. Após 19 segundos de aguda tensão, Tomás dá uma "sapatada" na mão do técnico José Videira, provocando o arranque da bobine com a gravação que continha a célebre senha: a canção Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso.

00:30

Na EPAM, um grupo de capitães e subalternos armados dá voz de prisão ao oficial de dia, alferes miliciano Pinto Bessa, e ao oficial de prevenção, aspirante miliciano Leão.

O capitão Gaspar assume provisoriamente as funções de oficial de serviço

No Campo de Instrução Militar de Santa Margarida (CIMSM) começam-se a encher carregadores na arrecadação de material de guerra

Na EPA continua-se (iniciada às 23:00) a preparação final do golpe, onde o capitão Santos Silva assumira já o comando, acolitado pelos tenentes Ruaz, Sales Grade e Sousa Brandão

Na EPI, os capitães Rui Rodrigues, Aguda e Albuquerque ordenam a formatura da companhia de intervenção, a três bigrupos de cinquenta homens.

O capitão Silvério executa o plano de defesa do quartel e os majores Aurélio Trindade e Cerqueira Rocha convidam o coronel Jasmins de Freitas a aceitar o comando da unidade

00:40

Na EPC, em Santarém os oficiais do MFA procuram obter a adesão ao Movimento do tenente-coronel Henrique Sanches. Não o conseguindo, procedem à sua detenção

No Campo de Tiro da Serra da Carregueira (CTSC) os capitães Oliveira Pimentel e Frederico Morais iniciam a preparação dos homens para levar a bom termo a sua missão, conquistar a Emissora Nacional

01:00

No BC 5 o major Fontão ordena ao alferes Frazão que controle e mantenha pessoal de guarda à central telefónica. Manda fechar os portões e neutralizar a central rádio

No CIMSM o tenente Luís Pessoa reúne os cabos milicianos e consegue a sua adesão imediata

Na EPC o major Rui Costa Ferreira assume o comando

01:30

Na EPC Salgueiro Maia manda acordar o pessoal e formar em parada. A adesão é entusiástica.

Salgueiro Maia comandará a força tendo o tenente Alfredo Assunção como seu adjunto.

No CIAAC, em Cascais, um grupo de jovens oficiais vê impedida a sua entrada na unidade que, ao contrário do que se previa, não adere ao Movimento.

Contactam o Posto de Comando pedindo nova missão

Na EPAM os soldados são armados. No exterior tudo está tranquilo

No RI 14 os capitães Gertrudes da Silva, Silveira Costeira, Aprígio Ramalho, Ferreira do Amaral e Augusto convocam os oficiais subalternos e esclarecem a situação. Controlam a central telefónica e os postos de rádio da ordem pública e do Serviço de Telecomunicações Militares (STM)

No Regimento de Cavalaria 3 (RC 3), em Estremoz, é problemático o cumprimento da missão: marchar sobre Lisboa com uma coluna de auto metralhadoras, estacionando na zona da portagem da Ponte Salazar, aguardando ordens do Posto de Comando.

O comandante, coronel Caldas Duarte, mostra-se indeciso e pede tempo para reflectir

02.00

No RI 14, em Viseu, inicia-se a preparação da companhia que vai seguir para a Figueira da Foz, onde se juntará a outras unidades em acção (RI 10, CICA 2, RAP 3) com vista a constituir o agrupamento «November»

A companhia de intervenção a três bigrupos comandada pelo capitão Rui Rodrigues abandona a EPI, em Mafra, para seguir por Malveira, Loures, Frielas e Camarate até ao Aeroporto da Portela, que deverá ocupar e defender

No BC 5 o major Cardoso Fontão manda distribuir armas, munições e aparelhos de rádio e formar as companhias

Do CTSC saem duas viaturas pesadas e um jipe, com um total de 47 homens, e dirigem-se para o seu objectivo

02:30

Os capitães Dinis de Almeida e Fausto Almeida Pereira executam vitoriosamente o plano de controlo do Regimento de Artilharia Pesada 3 (RAP 3), na Figueira da Foz, neutralizando os subalternos milicianos em serviço.

Almeida Pereira abre o portão da unidade aos oficiais da Escola Central de Sargentos (ECS) de Águeda

Forças da EPI iniciam a ocupação dos pontos-chave de Mafra, assegurando o domínio da vila e dos respectivos acessos.

02:40

Forças da Escola Prática de Engenharia (EPE) saem de Tancos para se dirigirem à ponte da Golegã-Chamusca, e aí se juntarem às Companhias de Caçadores 4241/73 e 4246/73 oriundas de Santa Margarida

02:50

Uma coluna da EPAM, num total de cerca de cem homens, montados em duas viaturas ligeiras e três pesadas, comandada pelo capitão Teófilo Bento, inicia a curta marcha em direcção ao objectivo

03:00

A Rádio Televisão Portuguesa (R.T.P.), Mónaco na linguagem cifrada dos militares revoltosos, é tomada de assalto pela força da EPAM.

As 16 viaturas militares, precedidas de um automóvel de exploração civil, que constituíam a força da EPA, composta por uma bateria de artilharia (BTR 8,8) e uma companhia de artilharia motorizada comandadas, respectivamente, pelos capitães Oliveira Patrício e Mira Monteiro, cruzam a porta da unidade e partem de Vendas Novas em direcção a Lisboa

Uma bateria de artilharia (BTR 10,5) da EPA, comandada pelo capitão Duarte Mendes, ocupa posições a cavaleiro das estradas de Montemor-o-Novo e Lavre, assegurando a interdição destes eixos viários e garantindo a segurança próxima da unidade

Abrem-se os portões do quartel do BC 5 dando saída a duas companhias operacionais.

O major Campos Moura e o capitão Correia Pombinho, encarregues de assinalar a saída dos homens do BC 5 e que aguardam na viatura do primeiro, escondida por detrás de sebes fronteiras à Penitenciária, partem de imediato para informar o 10º «Grupo de Comandos» do facto

Em Lamego, no Centro de Instrução de Operações Militares (CIOE), o seu comandante, tenente-coronel Sacramento Marques dá ordem de saída a uma companhia de tropas especiais que, após cinco horas de percurso, entrará no Porto

Nesta cidade, uma força do CICA 1, comandada pelo tenente-coronel Carlos Azeredo, penetra no Quartel-General da Região Militar do Porto (QG/RMP), transformando-o no posto de comando das forças em operações na Região Norte

03:07

Encontro do 10º «grupo de comandos» com a segunda companhia do BC 5, comandada pelo tenente Mascarenhas, na confluência da rua Castilho com a Sampaio Pina. O major Fontão estabelece contacto proferindo a senha Coragem! A que o capitão Mendonça de Carvalho responde com Pela Vitória!

03:12

Efectuada a junção com êxito, encaminham-se para a entrada do Rádio Clube Português que o porteiro Alcino Leal virá a abrir, dando entrada a oito oficiais, sete dos quais armados com pistolas Walther. Estava conquistado sem incidentes o R.C.P., tendo o capitão Santos Coelho informado, de seguida, o Posto de Comando de que México passara para as mãos do MFA

03:15

A coluna do CTSC, comandada pelos capitães Frederico Morais e Oliveira Pimentel, chega à Emissora Nacional (E.N.) e ocupa a estação de rádio oficial. Tóquio viera completar o domínio de três objectivos fundamentais na área da comunicação social

03.15

As Companhias de Caçadores (Ccaç) 4241/73 e 4246/73 encontram-se com a EPE. A Ccaç 4241/73 marcha para o centro emissor do R.C.P., em Porto Alto; a Ccaç 4246/73 dirigir-se-á a Vila Franca de Xira para dominar a Ponte Marechal Carmona e a EPE seguirá para Lisboa a fim de ocupar posições de defesa na Casa da Moeda

03:16

No posto de comando do MFA é interceptada uma conversa telefónica entre o general Andrade e Silva, ministro do Exército e o Prof. Silva Cunha, ministro da Defesa, trocam impressões sobre a situação geral, revelando que tinham conhecimento de que se preparava um jantar importante de carácter conspirativo, mas que a DGS vigiava os oficiais.

O primeiro membro do governo, entre outras considerações, afirma que «A situação está sem alteração e perfeitamente sob controlo...está tudo sossegado e não há qualquer problema em qualquer ponto do País».

A chamada é interrompida porque o responsável máximo da DGS se encontrava noutro telefone para falar com o ministro da Defesa

03.30

A força da EPC, com 10 viaturas blindadas, 12 viaturas de transporte de tropas, duas ambulâncias e um jipe e precedida por uma viatura civil, com três oficiais milicianos, comandada pelo capitão Salgueiro Maia, cruza a porta da unidade e sai de Santarém em direcção a Lisboa

A primeira companhia do BC 5, comandada pelo capitão Bicho Beatriz, toma posições de cerco ao Quartel-general da Região Militar de Lisboa (QG/RML). O oficial de serviço, aspirante Silva, informa o chefe do Estado-Maior, coronel Duque, da situação. Inicia-se, a partir de então, de acordo com a cadeia hierárquica, o processo de prevenção dos principais responsáveis das Forças Armadas

Carlos Albino e Manuel Tomás retiram-se das instalações da Rádio Renascença

03:30

Surge o primeiro alarme oficial das forças governamentais sobre a eclosão do Movimento, na cidade do Porto: o coronel Santos Júnior, comandante da PSP local, informa o Comando da GNR da tomada do QG/RMP pelos revoltosos

03:31

Os ministros da Defesa e do Exército retomam o diálogo telefónico, acabando por concluir que o Presidente da República, nesse dia, «pode deslocar-se à vontade, porque, por lá (Tomar), está tudo calmo»

03:40

A coluna do RI 10 de Aveiro, comandada pelo capitão Pizarro, chega aos portões do RAP 3. O coronel Sílvio Aires de Figueiredo, comandante da última unidade, é detido, nessa altura, pelo capitão Dinis de Almeida.

Decorrerá ainda algum tempo até que se constitua o Agrupamento Norte, a coluna do RAP 3 demora a formar, é preciso municiar as tropas chegadas de Aveiro, aguarda-se que cheguem as forças do Centro de Instrução de Condução Auto 2 (CICA 2) da Figueira da Foz e do RI 14 de Viseu

03:55

A companhia do RI 14 auto transportada, comandada pelo capitão Silveira Costeira, constituída por 4 viaturas pesadas, 1 ambulância e 1 viatura de exploração civil, sai do quartel passando por Tondela, Santa Comba Dão, Luso, Anadia e Cantanhede

03:56

O Posto de Comando toma conhecimento que foi quebrado o factor surpresa.

O documento onde são anotadas as escutas telefónicas, intitulado «A Fita do Tempo», regista: «Concentração que avança sobre Lisboa. Ele (Min. ex.?) vai já para lá (?)»

03:57

A ausência de notícias da coluna da EPI, que ainda não conquistara o Aeroporto, conduz ao adiamento da transmissão do primeiro comunicado inicialmente prevista para as 4:00

04:00

Um pelotão do BC 5 desloca-se para a residência de António de Spínola, a fim de garantir a sua segurança

O programa «A noite é nossa», do R.C.P., deixa de transmitir publicidade, passando a emitir apenas música

04:15

O general Eduardo Martins Soares, comandante da RMP, apela aos coronéis Rui Mendonça, comandante do RI 8, e Carneiro de Magalhães, comandante do RI 13, ambos de Braga, para avançarem sobre o Porto e libertarem o QG das mãos dos insurrectos.

Nos dois casos, os oficiais das unidades recusam-se a cumprir tais ordens

04:20

A coluna da EPI, comandada pelo capitão Rui Rodrigues, assume o controlo do AT 1 (Figo Maduro) e do Aeroporto de Lisboa.

O capitão Costa Martins emite um comunicado NOTAM, interditando o espaço aéreo português e desviando o tráfego para os aeroportos de Las Palmas e Madrid.

Nova Iorque encontra-se sob o controlo do Movimento

04:22

Em resposta a um telefonema de Silva Cunha, a mulher do Ministro do Exército informa-o que «O Alberto saiu agora de casa»

04:26

O Rádio Clube Português transmite o 1º comunicado do Movimento das Forças Armadas, lido por Joaquim Furtado. Seguem-se o Hino Nacional e marchas militares, designadamente uma da autoria de John Philip de Sousa que se viria a transformar no hino do MFA.

Os portugueses começam a tomar conhecimento de que algo de muito importante se está a desenrolar no País

No Grupo de Artilharia Contra Aeronaves 2 (GACA 2) de Torres Novas os capitães do Quadro Permanente, Pacheco, Dias Costa e Ferreira da Silva, conseguem a adesão dos tenentes milicianos comandantes de companhias mobilizadas para o Ultramar e que aguardam embarque

04:30

Rendição do QG/RML. O major Cardoso Fontão comunica ao posto de comando que Canadá fora ocupado sem incidentes

Forças do CICA 1 detêm, à saída da sua residência, o chefe do Estado-Maior do Q.G./R.M.N., coronel Ramos de Freitas

04:45

O 2º comunicado do MFA é emitido, apelando à desmobilização de eventuais acções contra o Movimento

O primeiro grupo do BC 5, comandado pelo major Fontão, penetra no interior do R.C.P.

O alarme é dado no Quartel-General da Região Militar de Coimbra (QG/RMC).

Rapidamente se apercebem de que a maior parte das unidades segue o Movimento.

O governador da Região Militar de Lisboa reúne-se com o corpo do seu Estado-Maior na residência do respectivo subchefe

05:00

Após uma viagem sem problemas, a coluna da EPC passa na portagem da auto-estrada, em Sacavém

05:00

No Quartel-General da Região Militar de Évora (QG/RME) é recebida ordem do Ministério do Exército para entrar de prevenção rigorosa

Marcelo Caetano recebe um telefonema do director-geral da PIDE/DGS, major Silva Pais, que lhe comunica estar a Revolução na rua, sendo a situação muito grave, pelo que se tornava necessário que o Presidente do Conselho se refugiasse no Quartel do Comando-Geral da GNR no Largo do Carmo

05:15

Leitura do 3º comunicado que, entre outros apelos, aconselha a população a permanecer em casa.

Grande parte desta, pelo contrário, vai para a rua, passando a manifestar um acolhimento eufórico à iniciativa dos militares, misturando-se com eles, conferindo, assim, ao golpe militar, muitos dos contornos de uma verdadeira revolução.

05:19

O general Nascimento telefona ao recém-nomeado CEMGFA, general Luz Cunha, a informá-lo que «está muita tropa na rua e é preferível seguir para aqui».

05:20

O general Viotti de Carvalho, vice-chefe do Estado-Maior do Exército (EME) determina ao comandante da EPTM para proceder à escuta das comunicações militares e as relatasse para o Estado-Maior. No entanto, há largas horas que a referida unidade militar desempenhava aquela missão, mas a favor do MFA

05:27

O ministro do Exército ordena ao RI 6, do Porto, que liberte o Q.G./R.M.P, determinação que não será cumprida, uma vez que a unidade era afecta ao MFA

05:30

No itinerário para o Terreiro do Paço, Salgueiro Maia cruza-se com viaturas da Polícia de Segurança Pública, no Campo Grande e, cerca de 10 minutos depois, com a Polícia de Choque, na Av. Fontes Pereira de Melo, que não se manifestam

05:30

O Comando Territorial do Algarve (CTA) ordena a entrada em prevenção rigorosa das suas três unidades

05.32

O ministro do Exército determina ao general Carvalhais que se ocupe da protecção dos CTT, Águas e Electricidade

05:45

O 4º comunicado sintetiza os anteriores alertando para que a situação não se encontra ainda totalmente controlada

05:46

O Ministro do Exército ordena ao comandante do Regimento de Cavalaria 7 (RC 7), coronel António Romeiras Júnior, que, com os carros de combate M47, tome posições em Vale de Cavalos para deter uma coluna da EPC que fora «referenciada no Cartaxo» e que «vem a caminho de Lisboa»

05:50

Uma força do CICA 1 ocupa o centro emissor de Miramar (Porto) do R.C.P.

05:55

As forças de Salgueiro Maia instalam-se no Terreiro do Paço, de forma marcadamente intimidatória. Encontram-se cercados os ministérios, a Câmara Municipal, a Marconi, o Banco de Portugal e a 1ª Divisão da P.S.P., estando dirigidas as metralhadoras para as janelas do Ministério do Exército. «Estamos aqui para derrubar o Governo» declara Salgueiro Maia ao jornalista Adelino Gomes

05:59

O ministro do Exército telefona ao coronel Romeiras Júnior, e ordena-lhe que «veja se consegue salvar esta coisa, pois estamos todos cercados», recebendo a resposta que as forças daquela unidade iam a caminho e já se encontravam na Av. 24 de Julho

06:00

O Quartel-General da Região Militar de Tomar (QG/RMT) ordena às unidades que passem ao estado de prevenção rigorosa. Mas já há algumas horas que forças de Tancos (EPE), de Santa Margarida (Ccaç 4241 e 4246) e de Santarém se movimentam em apoio do MFA

A companhia do GACA 2 de Torres Novas, na qual ocorrera uma viragem da situação (de força inimiga passa a apoiante), ocupa o Quartel e resiste a todas as ameaças, apesar de se manter sem contactos com o Posto de Comandos do MFA até às 20:00 do dia 26

06:05

O alferes miliciano David e Silva chega ao Terreiro do Paço comandando um pelotão de AML/Chaimites reforçado com Panhards do RC 7, favorável ao Governo, mas adere imediatamente ao Movimento, colocando-se às ordens de Salgueiro Maia. A mesma atitude será tomada por dois pelotões do Regimento de Lanceiros 2 (RL 2) que guardam o Ministério do Exército, à excepção de sete elementos que virão a possibilitar a fuga aos membros do Governo aí refugiados

06.10

O ministro do Exército pede ao general da FA Henrique Troni para «mandar dois aviões sobrevoar o Terreiro do Paço»

06:50

A bateria de obuses do Regimento de Artilharia Pesada 2 de Vila Nova de Gaia toma posição em ambas as entradas da Ponte da Arrábida, no Porto, dando acesso unicamente às «forças amigas» (do MFA)

Uma força do RL 2, comandada pelo tenente Ravasco, tenta, sem êxito, recuperar o QG/RML

07:00

Forças da EPA de Vendas Novas, comandadas pelos capitães Patrício e Mira Monteiro, ocupam a colina do Cristo-Rei, em Almada (com o nome de código Londres)

Surge no Terreiro do Paço, do lado da Ribeira das Naus, um pelotão de reconhecimento Panhard do RC 7, orientado pelo seu 2º comandante, tenente-coronel Ferrand de Almeida que, perante o dilema de ter de disparar ou de se render, opta por esta última posição, sendo preso

Uma coluna do RC 3 de Estremoz, sob o comando do capitão Andrade Moura e Alberto Ferreira, sai do Quartel e dirige-se a Setúbal, a fim de atingir a Ponte Salazar (actual Ponte 25 de Abril). Juntam-se-lhe os capitães Miquelina Simões e Gastão Silva, colocados no Regimento de Lanceiros 1 de Elvas, na sequência do frustrado golpe das Caldas

O Agrupamento Norte, envolvendo nesta altura, forças do RAP 3 e CICA 2 da Figueira da Foz e do RI 10 de Aveiro, sai a porta de armas do Quartel e mete-se à estrada em direcção a Leiria

07:30

O RI 14 de Viseu chega à Figueira da Foz e integra as forças do Agrupamento Norte muito antes da sua chegada a Leiria, assumindo o comando o capitão Gertrudes da Silva

É lido por Luís Filipe Costa o 5º comunicado do Movimento das Forças Armadas, em que se fornecem elementos acerca dos objectivos do MFA

É detido, nas imediações do R.C.P., o tenente-coronel Chorão Vinhas, comandante interino do BC 5

Uma segunda coluna da EPC, constituída por cinco carros de combate (2 M47 e 3 M24) e dois pelotões de atiradores (cerca de 60 homens), comandada pelo capitão Correia Bernardo, atinge o perímetro de Santarém, pronta para avançar para Lisboa em apoio da coluna de Salgueiro Maia. A evolução favorável dos acontecimentos acabou por tornar desnecessária tal medida

07:40

A Companhia de Caçadores (Ccaç 4241/73) ocupa o centro emissor do R.C.P., em Porto Alto

07:50

Os capitães Glória Alves e Ferreira Lopes, à frente de um pelotão do Centro de Instrução de Condução Auto 5 (CICA 5) de Lagos, ocupam o centro retransmissor de Fóia

08:00

Verifica-se o corte de energia ao centro emissor do R.C.P., em Porto Alto, que passa a funcionar com o gerador de emergência

A Companhia do CIOE, comandada pelo capitão Delgado da Fonseca, chega à cidade do Porto, dirigindo-se ao CICA 1

08:15

Uma força da GNR saída do Quartel do Cabeço de Bola, constituída por 12 "Land Rover", toma posição no Campo das Cebolas. Após um breve diálogo com Salgueiro Maia e face à disparidade de meios, o comandante é convencido a abandonar o local

08:22

O CEMGFA, general Luz Cunha, informa o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Paiva Brandão, que «pretende utilizar meios da Escola Prática do Serviço de Material (EPSM) para tomar posições e libertar o AT 1. Irem pela auto-estrada e tomarem estrada secundária. Terem cuidado com o Cmdt. dessa força porque a entrega do Ferrand o deixou muito em baixo»

08:30

É lido, pela primeira vez na Emissora Nacional, um comunicado do MFA

08:50

Uma coluna de nove viaturas militares da EPE de Tancos estaciona no centro emissor do R.C.P., a fim de reforçar a sua defesa. Mais tarde segue para Lisboa onde ocupa a Casa da Moeda, seu objectivo inicial

09:00

A fragata Almirante Gago Coutinho, comandada pelo capitão-de-fragata Seixas Louçã, toma posição no Tejo, em frente ao Terreiro do Paço, intimidando directamente as forças de Salgueiro Maia. Perante esta situação, a artilharia do Movimento, já estacionada no Cristo-Rei, recebe ordens do Posto de Comando para afundar a fragata no caso desta abrir fogo.

O vaso de guerra terá recebido ordem do vice-chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Jaime Lopes, «para se preparar para abrir fogo». A ordem de disparar nunca chegou

O major Cardoso Fontão detém, nas imediações do Q.G./R.M.L., o brigadeiro Serrano que, no 16 de Março, comandara o cerco ao RI 5

Chega à residência de Spínola o médico Carlos Vieira da Rocha, amigo do general e proprietário do automóvel Peugeot que os haveria de transportar, no final da tarde, ao Quartel do Carmo

09:15

Uma força da EPC, com uma AML e uma ETT/Panhard, comandadas pelo alferes Sequeira Marcelino e pelo aspirante Pedro Ricciardi, vai reforçar a protecção do QG/RML, em São Sebastião da Pedreira

09:35

Chega ao Terreiro do Paço uma força comandada pelo brigadeiro Junqueira dos Reis, 2º comandante da RML, constituída por 4 CC/M47, uma companhia de atiradores do Regimento de Infantaria 1 e alguns pelotões da Polícia Militar.

Dois dos carros de combate, comandados pelo major Pato Anselmo, tomam posições na Ribeira das Naus, enquanto os outros dois, sob o comando do coronel Romeiras Júnior, penetram na Rua do Arsenal

09:40

Protegidos pelos blindados do RC 7, os ministros da Defesa, Silva Cunha, do Interior, César Moreira Baptista, do Exército, Andrade e Silva, da Marinha, Pereira Crespo, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Joaquim Luz Cunha, o governador militar de Lisboa, Edmundo Luz Cunha, o subsecretário de estado do Exército, coronel Viana de Lemos e o almirante Henrique Tenreiro, fogem pelas traseiras do Ministério do Exército, abrindo um buraco na parede que comunica com a biblioteca do Ministério da Marinha. No parque de estacionamento interior tomam lugar numa carrinha que os transporta ao Regimento de Lanceiros 2, onde instalam o Posto de Comando das tropas leais ao Governo

10:00

Na Rua do Arsenal, o tenente Alfredo Assunção, da EPC, empreende uma tentativa de negociação com o coronel Romeiras Júnior e o brigadeiro Junqueira dos Reis. Este oficial-general agride com três murros o emissário dos revoltosos que responde com continência e uma rígida posição de sentido.

O brigadeiro manda, em seguida, abrir fogo sobre ele, não sendo obedecido, por intervenção directa do coronel Romeiras. Assunção regressa, então, para junto das suas tropas

10:10

Chega ao Terreiro do Paço o tenente-coronel Correia de Campos, enviado do Posto de Comando da Pontinha, com a missão de coordenar as operações

10:15

Um grupo de comandos, que integra Correia de Campos e Jaime Neves, passa revista ao Ministério do Exército, confirmando a fuga dos ministros que tinha por missão prender, procedendo à detenção de diversos oficiais superiores, designadamente o coronel Álvaro Fontoura, chefe de gabinete do ministro do Exército que seriam, pouco depois, transferidos para o RE 1

10:30

Depois de algumas tentativas infrutíferas para a rendição do major Pato Anselmo, na Ribeira das Naus, esse intento é alcançado por um civil, o ex-alferes miliciano Fernando Brito e Cunha, que actua às ordens de Correia de Campos. Os dois carros de combate e as tropas que os seguiam passam-se para o lado dos revoltosos, ficando sob o comando de Salgueiro Maia

O Agrupamento Norte, comandado pelo capitão Gertrudes da Silva, atinge Peniche, com o objectivo de ocupar essa odiosa prisão política do Regime. Face à resistência da PIDE/DGS, a companhia do CICA 2 e duas secções de obuses do RAP 3 montam cerco àquele objectivo, seguindo o grosso da coluna para Lisboa

10:45

Face à perda de metade da sua coluna, o 2º comandante da RML transfere o CC/M47 do alferes miliciano Fernando Sottomayor (RC 7) para a Ribeira das Naus. Seguidamente, o brigadeiro Junqueira dos Reis ordena-lhe que abra fogo sobre Salgueiro Maia, quando este se encontra entre a esquina do Ministério do Exército e o muro para o rio Tejo, numa tentativa para obter a rendição do remanescente das forças fiéis ao governo. O oficial miliciano recusa-se a obedecer, sendo detido e transferido para o RL2

10:50

Junqueira dos Reis ordena, sem sucesso, aos soldados que abram fogo. Perante a desobediência generalizada, o oficial-general dá dois tiros para o ar e dirige-se para a Rua do Arsenal, onde se encontra o carro de combate do comandante do RC 7

11:00

Incapaz de se fazer obedecer, o 2º governador militar de Lisboa conserva as forças que lhe restavam nas posições que ocupavam, não tomando, naquela altura, mais nenhuma iniciativa

O Governo consegue cortar a emissão em FM do R.C.P., desligando o comutador de Monsanto

É detido, por forças do BC 5, nas instalações do Quartel Mestre General, o seu responsável, general Louro de Sousa

11:30

As unidades estacionadas no Terreiro do Paço dividem-se, avançando: a Escola Prática de Cavalaria para o Quartel do Carmo, sendo, ao longo de todo o percurso, aclamada entusiasticamente pela população

Forças dos Regimentos de Cavalaria 7, Lanceiros 2 e Infantaria 1 que contavam com 16 blindados comandadas por Jaime Neves e pelos tenentes de Cavalaria Cadete e Baluda Cid, para o Quartel-General da Legião Portuguesa (Marrocos)

11:45

Difundido novo comunicado do MFA ao País, informando que, de Norte a Sul, a situação se encontra dominada e que «...em breve chegará a hora da libertação»

12:00

A fragata Almirante Gago Coutinho retira para o Mar da Palha

No Rossio, uma companhia do Regimento de Infantaria 1, da Amadora, comandada pelo capitão Fernandes, tenta barrar o caminho para o Quartel do Carmo, à coluna da EPC. Após curto diálogo com o comandante das tropas, estas passam para o lado de Salgueiro Maia

12:30

É montado o cerco ao Quartel da GNR, no Carmo, pela coluna da EPC

12:45

Forças hostis da GNR ocupam posições na retaguarda do dispositivo de Salgueiro Maia

13:00

Um comunicado do MFA tranquiliza as famílias dos militares envolvidos no movimento revoltoso

Face ao cerco do Quartel do Carmo, o brigadeiro Junqueira dos Reis dirige-se, com os dois CC/M47 e os lanceiros e atiradores que lhe restavam, para o Largo de Camões, na esperança de, conjuntamente com forças da GNR, tentar libertar o Presidente do Conselho.

Tais intenções rapidamente se verificam inexequíveis. A companhia do RI 1 passa-se para as fileiras do MFA e uma parte da guarnição de um M/47 abandona-o, confinando o brigadeiro a uma posição de crescente fraqueza face ao aumento do poderio dos revoltosos

13:15

A coluna do RC 3 de Estremoz atinge o seu objectivo, a Ponte Salazar

13:30

Um helicanhão sobrevoa o Largo do Carmo, causando grande ansiedade entre militares e civis

13:40

O comandante e o Estado-Maior da Legião Portuguesa apresentam a sua rendição

14:00

Corte de energia ao emissor de Miramar (Porto) do R.C.P.

14:30

É lido por Clarisse Guerra, aos microfones do Rádio Clube Português, um comunicado do MFA, no qual se dá conta dos objectivos e posições controlados e do ultimato para a rendição de Marcelo Caetano

15:10

Salgueiro Maia solicita, com megafone, a rendição do Carmo em 10 minutos. Momentos antes recebera do Posto de Comando do MFA uma mensagem escrita pelo major Otelo Saraiva de Carvalho na qual ordena que apresente um aviso-ultimato para a rendição

15:15

São libertados da Trafaria os onze militares que aí se encontravam detidos em consequência do falhado golpe das Caldas

15:30

Não sendo atendido após 15 minutos, Salgueiro Maia ordena ao tenente Santos Silva para fazer uma rajada da torre da Chaimite sobre as janelas mais altas do Quartel, repetindo o apelo de rendição logo a seguir

15:45

Do Quartel do Carmo sai o major Hugo Velasco, membro do MFA, para falar com o capitão Salgueiro Maia

16:00

O coronel Abrantes da Silva, a pedido de Salgueiro Maia, entra no Quartel para dialogar com os sitiados

Forças do CIOE dirigem-se aos estúdios da R.T.P. (Monte da Virgem) e do R.C.P. (Tenente Valadim), no Porto, para proceder à sua ocupação

16:15

O capitão Salgueiro Maia dá ordens ao alferes miliciano Carlos Beato para instalar os seus homens no cimo das varandas do edifício da Companhia de Seguros Império e fazer fogo sobre a frontaria do Carmo, agora com armas automáticas G-3

16:25

O comandante da força da EPC, na ausência de resposta por parte dos sitiados no Quartel do Carmo, ordena a colocação de um blindado em posição de tiro e chega a dar "voz" de "um, dois"..., sendo interrompido pelo tenente Alfredo Assunção que conduz dois civis até ele. Trata-se de Pedro Feytor Pinto, director dos Serviços de Informação da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, e Nuno Távora, que se dizem portadores de uma mensagem do general Spínola para Marcelo Caetano

16:30

Salgueiro Maia autoriza a entrada no Quartel dos dois mensageiros

16:30

 Spínola comunica ao Posto de Comando do MFA ter recebido um pedido de Marcelo Caetano para ser ele a aceitar a rendição do chefe do governo. Otelo, após recolher a opinião dos presentes, concede-lhe esse mandato

16:45

Os dois mensageiros saem do Quartel do Carmo e deslocam-se num jipe, acompanhados por Alfredo Assunção, para casa de Spínola que, entretanto, se dirige já para o Carmo

17:00

Salgueiro Maia desloca-se ao interior do Quartel e fala com Marcelo Caetano que, após ter colocado algumas perguntas, lhe solicita que um oficial-general vá efectuar a transmissão de poderes (Spínola, com quem, aliás, falara já ao telefone) para que o poder não caia na rua

17:00

Salgueiro Maia pede a Francisco Sousa Tavares e a Pedro Coelho, oposicionistas ligados à CEUD e ao PS, para ajudarem a afastar a população. Sousa Tavares sobe para uma guarita da GNR e, usando o megafone, apela à calma

17:45

Chegada ao Largo do Carmo do general António de Spínola, acompanhado pelo tenente-coronel Dias de Lima, major Carlos Alexandre Morais, capitão António Ramos e Dr. Carlos Vieira da Rocha. Após longos minutos envolvido pela multidão, o Peugeot que transportava Spínola consegue, finalmente, chegar junto da porta de armas do quartel

18:00

António de Spínola, acompanhado por Salgueiro Maia (que o informa sobre o modo como os membros do Governo serão retirados das instalações), entra no Quartel do Carmo para dialogar com Marcelo Caetano

18:15

Spínola encontra-se com Marcelo e informa-o dos procedimentos que serão adoptados para a sua saída do local e posterior evacuação para a Madeira. Enquanto isso, Salgueiro Maia pede à população que abandone o Largo do Carmo, a fim de se proceder à retirada do Presidente do Conselho e dos ministros.

O apelo é ignorado

18.20

Um comunicado do MFA informa o País da entrega de Marcelo Caetano e de membros do seu ex-governo, refugiados no Carmo

18:25

Às ordens de Salgueiro Maia, soldados formam um cordão em frente da porta de armas do Quartel, de forma a ser possível retirar Marcelo Caetano em segurança

18:30

O Agrupamento Norte chega a Lisboa

Numa manobra difícil, a auto metralhadora Chaimite penetra, de marcha-atrás, no Quartel do Carmo.

19:00

Marcelo Caetano, Rui Patrício e Moreira Baptista abandonam o Quartel do Carmo, sendo conduzidos na auto metralhadora Chaimite "Bula", em direcção ao Quartel da Pontinha

A Baixa de Lisboa é invadida por enorme multidão que vitoria as Forças Armadas e a Liberdade

19:50

Comunicado do MFA anunciando formalmente a queda do Governo

20:05

É lida, através dos emissores do RCP, a Proclamação do Movimento das Forças Armadas

20:30

Na Rua António Maria Cardoso, onde se situa a sede da PIDE/DGS, agentes desta polícia política abrem fogo sobre a multidão que se aglomera na referida artéria, causando 4 mortos e dezenas de feridos

21:00

A Chaimite "Bula" e a coluna da EPC atingem o Quartel da Pontinha

Forças do RAP 3 e da EPI deslocam-se ao Comando da 1ª Região Aérea, em Monsanto, para proceder à detenção dos ministros da Defesa, do Exército e da Marinha, e de outras altas patentes militares que ali se haviam refugiado desde a tarde, conduzindo-os ao RE 1

22:00

Forças de pára-quedistas chegam à prisão de Caxias, onde a PIDE/DGS continua a resistir

23:30

Chegada da EPC ao RC 7 e RL 2 que ocupa, perante a rendição, sem resistência, dos seus comandantes

26

01:30

A Junta de Salvação Nacional, de que fazem parte o capitão-de-fragata António Rosa Coutinho, coronel Carlos Galvão de Melo, general Francisco da Costa Gomes, brigadeiro Jaime Silvério Marques, capitão-de-mar-e-guerra José Pinheiro de Azevedo e o general Manuel Diogo Neto, ausente do Continente, apresenta-se à Nação, através da Rádio Televisão Portuguesa, lendo uma proclamação e tendo o general António de Spínola como Presidente

07:00

O tenente-coronel Almeida Bruno desloca-se à Rua Almirante Saldanha, ao Restelo, para solicitar ao ex-Presidente da República, Américo Tomás, que o acompanhe ao aeroporto a fim de embarcar no DC-6 que o conduzirá à ilha da Madeira

O tenente-coronel Lopes Pires acompanha ao aeroporto o ex-Presidente do Conselho, Marcelo Caetano e os ex-ministros Silva Cunha e Moreira Baptista

07:30

O major Vítor Alves lê, perante a Comunicação Social, a versão definitiva do Programa do MFA

07:40

O DC-6 levanta voo da pista da Portela e parte rumo ao Funchal

09:46

Na Rua António Maria Cardoso, sede da PIDE/DGS, verifica-se a rendição incondicional daquela polícia política, sendo o edifício ocupado por forças do Exército e da Marinha

10.00

Rendição do Forte de Caxias

11.00

Salgueiro Maia e as forças da EPC ocupam o edifício da Secretariado-Geral da Defesa Nacional, na Cova da Moura, onde a Junta de Salvação Nacional e o MFA passarão a funcionar

13.00

Inicia-se a libertação dos presos políticos nas cadeias de Caxias e Peniche

Divulga-se o Programa do MFA que havia sido apresentado pelo major Vítor Alves, no Quartel da Pontinha, ao princípio da manhã, depois da 1ª conferência de imprensa da Junta de Salvação Nacional

Golpe de estado do MFA na Guiné

27

Envio de tropas pára-quedistas de Nampula para Lourenço Marques a fim tornar efectiva a demissão do governador-geral de Moçambique

28

Mário Soares regressa a Portugal

29

General Costa Gomes chefe do Estado-Maior das Forças Armadas

Carta de militares da Guiné, especialmente milicianos, ao general Spínola, exigindo negociações com o PAIGC

30

Álvaro Cunhal regressa a Portugal

Maio

1

Centenas de milhares de pessoas, em todo o País, festejam nas ruas o Dia do Trabalhador, em democracia e liberdade. «O Povo está com o MFA» será a palavra de ordem mais gritada

2

Encontro em Paris de Senghor com Carlos Fabião, delegado de Spínola

4

Organização em Bissau, do movimento alargado de oficiais, sargentos e praças

Primeira manifestação em Lisboa de boicote ao embarque de tropas para as colónias

7

Chegada a Bissau de Carlos Fabião, como encarregado do Governo

11

Criação da União Democrática de Timor (UDT)

15

Reunião de militares em Bissau, donde sai uma directiva do MFA da Guiné sobre a integração no MFA de todos os militares, incluindo os do movimento alargado de oficiais, sargentos e praças

17

Declaração do secretário-geral da ONU Kurt Waldheim, mostrando-se esperançado que Portugal reconhecesse o direito à autodeterminação e iniciasse negociações com os movimentos de libertação

20

Criação da Associação Social-Democrata Timorense, que em Setembro se transforma na Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin)

24

Nomeação oficial do Gabinete do MFA em Moçambique, com funções de acessoria junto do comandante-chefe

25

Inicio de conversações com o PAIGC em Londres

30

Interrupção das conversações entre Portugal e o PAIGC, que decorriam em Londres

Junho

Confirmação pelo Comité de Investigação das Nações Unidas, do massacre de Wiriyamu em Moçambique

6

Inicio das conversações entre Portugal e a Frelimo em Lusaka

8

Inicio da Operação Zebra, em Moçambique, destinada à detenção dos elementos e efectiva extinção da PIDE/DGS

11

Posse dos novos governadores-gerais de Angola e de Moçambique, Silvino Silvério Marques e Soares de Melo

13

Primeiros encontros formais entre militares portugueses e do PAIGC no terreno

14

Primeiro encontro formal entre o PAIGC e uma delegação portuguesa e Argel

15

Assinatura no interior de Angola de um cessar-fogo entre o MFA e a UNITA

19

Encontro entre Spínola e Nixon, nos Açores, sobre questões levantadas pela descolonização

26

 Definição oficial das atribuições da Comissão Coordenadora Politica do MFA junto do governador-geral de Moçambique

Julho

1

Reunião do MFA em Bissau, onde se exigiu o imediato reconhecimento da Republica da Guiné-Bissau

Plenário do MFA em Moçambique que exige o reinicio das conversações com a Frelimo

10

Memorando do MFA de Moçambique recomendando o reconhecimento do direito à independência e da Frelimo como representante mais válido do povo de Moçambique

15

Inicio de encontros formais em Cantanhez (Guiné) entre representantes portugueses do governo local e dirigentes do PAIGC

16

Apresentação formal pela Republica da Guiné-Bissau do pedido de admissão na ONU

17

Posição do MFA de Angola sobre a exigência de profundas mudanças na estrutura governativa de Angola, incluindo a demissão do governador-geral

20

Plenário do MFA de Moçambique em Nampula, onde as delegações de Cabo Delgado e Tete exigem a concretização de um acordo com a Frelimo

22

Posição do MFA de Moçambique sobre a necessidade de se iniciarem negociações com a Frelimo

24

Publicação do regime transitório para Angola e Moçambique

Nomeação de Rosa Coutinho para o cargo de presidente da Junta Governativa de Angola

Demissão do governador-geral de Moçambique, Soares de Melo

27

Publicação da Lei 7/74 que reconhece o direito das colónias à independência, confirmado por discurso oficial de António de Spínola

29

 Nomeação de Pires Veloso para o cargo de governador-geral de São Tomé e Príncipe

Agosto

3

Distúrbios raciais generalizados em Luanda

4

Publicação de um comunicado conjunto Portugal-ONU sobre a descolonização das colónias portuguesas

5

Criação por despacho de Spínola da Comissão Nacional de Descolonização e do Gabinete de Descolonização

7

Posse do novo governador de Cabo Verde, Silva Horta

10

Elaboração dos princípios de descolonização para Angola pela Junta de Salvação Nacional

11

Inicio de um encontro em Brazzaville das diversas facções do MPLA com vista à unidade do movimento

14

Grande manifestação anti colonial em Lisboa

15

Nova ronda negocial entre Portugal e a Frelimo em Dar-es-Salam

26

Assinatura em Argel de um acordo entre Portugal e o PAIGC

30

Homologação do acordo de Argel, assinado com o PAIGC

Setembro

3

Acordo de unidade do MPLA, sob a direcção de Agostinho Neto

6

Distúrbios sociais em São Tomé

7

Assinatura do acordo de Lusaka entre Portugal e a Frelimo

Distúrbios provocados por alguns grupos de brancos em Moçambique, como reacção aos Acordos de Lusaka

8

Aprovação por unanimidade do Acordo de Lusaka, pelo Conselho de Estado

9

Lei 8/74 sobre a estrutura governativa de Moçambique, decorrente do Acordo de Lusaka

10

Reconhecimento do Estado da Guiné-Bissau por Portugal

Nomeação de Vítor Crespo para o cargo de alto-comissário para Moçambique

15

Publicação do primeiro numero do quinzenário Abertura do MFA de Angola

Encontro entre Spínola e Mobutu na ilha do Sal, em Cabo Verde, sobre a descolonização de Angola

17

Admissão da Guiné-Bissau na ONU

18

Plenário do MFA em Luanda de apoio à Junta Governativa de Angola

21

Posse do Governo de Transição de Moçambique, chefiado por Joaquim Chissano, perante o alto-comissário Vítor Crespo

Substituição de Silva Horta, no cargo de governador de Cabo Verde, por Sérgio Duarte da Fonseca

27

Reunião de Spínola com representantes dos novos partidos de Angola

28

Tentativa de golpe de Estado, anulada pelas forças democráticas

29

Última reunião da Junta de Salvação Nacional e do Conselho de Estado sob presidência de António de Spínola, a quem este pediu medidas de excepção, que foram recusadas

30

Renúncia de António de Spínola e investidura de Costa Gomes no cargo de Presidente da Republica

Outubro

3

Estruturação do MFA em Angola, com eleição de uma comissão coordenadora do Programa, composta por nove oficiais

11

Assinatura em Kinshasa de um acordo de cessar-fogo entre FNLA e uma delegação portuguesa

12

Plenário do MFA em São Tomé e Príncipe, que concordou em aceitar o MLSTP como único e legitimo representante do território

15

Lei Constitucional sobre reconhecimento da soberania da União Indiana em Goa, Damão, Diu, Dadrá e Nagar Aveli

21

Assinatura no Leste de Angola, de um acordo de cessar-fogo entre uma delegação militar portuguesa e o MPLA

Graves distúrbios sociais e militares em Lourenço Marques

Novembro

6

Abertura de uma delegação da FNLA em Luanda

8

Entrada do MPLA em Luanda

9

Entrada do UNITA em Luanda

Plenário do MFA em Cabo Verde, que aprova a sua estruturação e reconhece o PAIGC como único e legitimo representante do território

23

Acordo entre a UNITA e FNLA

26

Assinatura de um acordo, em Argel, entre Portugal e o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe

27

Publicação do regime constitucional provisório de Angola

Dezembro

15

Assinatura de um acordo entre o MPLA e a UNITA

19

Reabilitação do general Vassalo e Silva, ultimo governador da Índia Portuguesa

21

Posse do Governo de transição de São Tomé e Príncipe, chefiado por Leonel d’Alva, representante do MLSTP

26

Extinção do comissariado para a Índia

30

 Posse do Governo de transição de Cabo Verde, constituído por representantes de Portugal e do PAIGC

31

Institucionalização da Comissão Nacional de Descolonização